O tampo harmónico Antônio de Torres Jurado.

Madeira e Leveza

  • Abeto Europeu: A madeira de eleição para o tampo era o Abeto Europeu (Picea abies). Essa madeira, de grão reto e uniforme, foi escolhida por sua combinação ideal de leveza e rigidez.

  • Espessura Reduzida: Torres percebeu que um tampo mais fino produzia mais volume e ressonância. A espessura média de seus tampos variava entre 2,0 e 2,5 mm, sendo significativamente mais fina do que os violões de sua época. Essa finura tornou o tampo extremamente sensível e responsivo à vibração das cordas.


2. Leque Harmónico (Bracing)

  • Padrão de 7 Varetas: O sistema de leque harmónico é a maior inovação de Torres. Ele usava um padrão de sete varetas finas de abeto, dispostas em forma de leque a partir da boca do violão em direção ao cavalete.

  • Distribuição de Vibração: O objetivo desse sistema era distribuir a vibração das cordas de maneira uniforme por toda a superfície do tampo, permitindo que a grande área vibrasse de forma eficiente.

  • Reforço Estrutural: As varetas do leque serviam para dar a rigidez necessária ao tampo fino, evitando que ele se deformasse com a tensão das cordas, mas sem adicionar massa excessiva que pudesse "matar" a sonoridade.


3. Curvatura e Estabilidade

  • Tampo Abobadado (Doming): O tampo de Torres não era plano. Ele possuía uma sutil curvatura ou "abobadamento", com uma elevação central de aproximadamente 2 a 3 mm.

  • Propósito: Essa curvatura é crucial para a estabilidade. Ela funciona como uma viga, aumentando a resistência do tampo fino à enorme tensão das cordas, ajudando a manter a integridade estrutural do violão ao longo do tempo.


4. Qualidades Sonoras Resultantes

A combinação dessas características de design e material resultou em um violão com:

  • Grande Volume e Projeção: O tampo maior e mais leve conseguia deslocar uma quantidade de ar maior e mais eficiente.

  • Sustain Prolongado: O sistema de leque harmónico permitia que a vibração se mantivesse por mais tempo, gerando um som com maior sustentação.

  • Timbre Rico e Equilibrado: O som era claro e com um bom equilíbrio entre graves profundos e agudos brilhantes.

Posicionamento do Leque Harmónico

O sistema de leque harmónico de Torres, que revolucionou a construção do violão, é caracterizado por um padrão de sete varetas (leques) que se irradiam a partir da boca do violão em direção ao cavalete.

  • Varetas Principais: Sete varetas de abeto fino e leve, posicionadas abaixo da boca do violão, em forma de leque. As varetas externas, próximas aos blocos das laterais, são mais inclinadas, enquanto as centrais são quase paralelas ao eixo do tampo.

  • Barra Transversal (Barra Harmónica): Uma viga transversal de madeira, geralmente de abeto ou mogno, posicionada abaixo da boca do violão e acima da fixação das varetas principais. Ela ajuda a reforçar a área do tampo mais sujeita à tensão e a modular a ressonância.

  • Placa do Cavalete (Bridge Plate): Uma pequena peça de madeira (geralmente jacarandá ou bordo) colada por dentro do tampo, onde o cavalete é fixado por fora. As varetas de leque se estendem até essa placa, ou terminam pouco antes dela.

  • Reforços: Pequenos reforços de madeira, como pastilhas de abeto ou cunhas, são frequentemente vistos nas extremidades de algumas varetas para dar suporte adicional.


Vista Lateral (Altura e Afinação das Varetas)

A "afinação" das varetas se refere à sua altura e ao seu perfilamento, que são ajustados para controlar a vibração do tampo.

  • Tampo Abobadado (Doming): O tampo de um violão Torres não é completamente plano. Ele possui uma curvatura sutil (cerca de 2 a 3 mm de altura no centro) que contribui para sua resistência à tensão das cordas e melhora a projeção do som.

  • Perfil das Varetas: As varetas são mais altas e robustas no ponto onde se encontram com a barra transversal. A partir daí, elas são perfiladas, ou seja, sua altura e largura diminuem gradualmente em direção às extremidades do tampo. As pontas das varetas, próximas ao cavalete e nas laterais, são finas e leves, permitindo que o tampo vibre livremente.

  • Varetas do Fundo e das Laterais: O fundo do violão também possui varetas transversais, que ajudam a estabilizar a estrutura. Elas são menos críticas para a projeção sonora, mas contribuem para a ressonância geral do instrumento.


Notas Construtivas com Medidas Médias Usadas por Torres

  • Comprimento de Escala: A escala padrão de Torres era de 650 mm, uma medida que se tornou o padrão moderno.

  • Diâmetro da Boca: O diâmetro médio da boca dos violões de Torres era de cerca de 85 mm.

  • Espessura do Tampo: O tampo, geralmente de abeto, era notavelmente fino e leve, variando entre 2,0 e 2,5 mm. Essa finura era compensada pela resistência do leque harmónico.

  • Dimensões da Caixa:

    • Comprimento do Corpo: Cerca de 480 mm.

    • Largura do Bojo Superior: Cerca de 270 mm.

    • Largura do Bojo Inferior: Cerca de 365 mm.

    • Largura da Cintura: Cerca de 230 mm.

    • Profundidade das Laterais: Variando de 90 mm na extremidade do braço a 95 mm na extremidade do fundo.

  • Madeira do Tampo: Abeto europeu (Picea abies).

  • Madeira do Fundo e Laterais: Jacarandá da Índia (Dalbergia latifolia) ou Cipreste.

  • Madeira do Braço: Cedro espanhol (Cedrela odorata).

  • Madeira da Escala: Ébano (Diospyros spp.).

Vista lateral do leque harmónico Torres


Vista lateral do leque harmónico Torres, mostrando como as varetas têm altura máxima no centro e vão afinando até quase desaparecer nas extremidades, permitindo que o tampo vibre livremente.