Araucária no tampo do violão

A Araucária-do-Paraná (Araucaria angustifolia) é uma madeira pouco usada como tampo em violões de alto padrão, mas ela tem propriedades interessantes que, com tratamento e construção correta, podem gerar um resultado muito característico. espessuras, timbre, sustain, brilho, cuidados e diferenças entre tipos de violão para uso dessa madeira.


1️⃣ Características físicas e acústicas da Araucária

  • Densidade: 0,42 a 0,50 g/cm³ (semelhante a alguns abetos, mas com fibras menos uniformes).
  • Elasticidade: Boa, mas menor módulo de rigidez que o abeto europeu — vibra mais facilmente, mas com menos retorno rápido.
  • Velocidade de propagação do som (cL): Média-alta para coníferas, o que dá médios presentes e graves suaves.
  • Cor e estética: Amarelada clara, com veios sutis. Envelhece com tom dourado.

2️⃣ Espessura ideal como tampo

Para evitar som "morto" ou falta de sustentação:

  • Violão Clássico: 2,3 – 2,5 mm no centro, afinando para 2,1 – 2,2 mm nas bordas.
  • Flamenco: 2,0 – 2,2 mm no centro, bordas até 1,9 mm (resposta mais rápida).
  • Folk/Acústico: 2,4 – 2,6 mm (pressão das cordas de aço exige mais rigidez).
  • Viola Caipira: 2,3 – 2,5 mm, reforços localizados sob cavalete.
  • Elétrico com caixa (semi-acústico): Pode variar de 2,5 a 3,0 mm para evitar microfonia excessiva e manter resistência mecânica.

3️⃣ Timbre e resposta tonal

  • Graves: Suaves, menos encorpados que no cedro ou jacarandá, mas muito limpos e sem excesso de reverberação.
  • Médios: São o ponto forte — articulados e claros, ideais para projeção de melodias.
  • Agudos: Presentes, mas com menos brilho metálico; soam mais “aveludados” que em spruce.
  • Sustain: Médio — a madeira dissipa energia mais rápido que spruce de alta densidade, mas mais lentamente que madeiras muito leves como balsa.
  • Brilho: Médio-baixo, mais quente que o spruce e mais macio que o cedro.

4️⃣ Diferenças por tipo de violão

Tipo de Instrumento Comportamento da Araucária Ajustes recomendados
Clássico Timbre suave, resposta doce, boa para música de câmara. Leque Torres modificado para compensar sustain médio.
Flamenco Ótima velocidade de resposta, som seco, articulação boa para golpes. Afinar mais o tampo, reduzir massa do cavalete.
Acústico/Folk Graves limpos, médios articulados, mas menos volume que spruce. Leque em X reforçado, espessura maior para cordas de aço.
Elétrico Mais estética e controle de ressonância que ganho acústico. Usar como tampo sólido ou laminado para evitar microfonia.
Viola Caipira Boa definição de notas, menos “recheio” nos graves. Reforçar sob cavalete, manter espessura próxima de 2,4 mm.

5️⃣ Cuidados na construção

  • Seleção da madeira: Escolher peças de corte radial (quarter-sawn) para maior estabilidade e melhor transmissão sonora.
  • Secagem: Mínimo de 3 anos em ambiente controlado, pois a araucária é sensível à variação de umidade.
  • Proteção: Acabamento fino (como goma-laca) para não abafar vibração, mas selar bem para evitar absorção de umidade.
  • Leque harmônico: Usar travessas mais finas e bem posicionadas para compensar menor rigidez.
  • Corte e colagem: Evitar prensagem excessiva, pois as fibras são mais macias e podem deformar sob pressão.

💡 Resumo acústico da Araucária no tampo:

  • Som quente e equilibrado, ótimo para música tradicional, violões intimistas e gravação em estúdio.
  • Não é a madeira mais indicada para palco com alta projeção, mas com leque adequado e bom acoplamento, entrega um timbre muito musical.


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Riverson Vale 

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